Entenda o desafio do diagnóstico da febre amarela para os laboratórios

No último dia 21 o Ministério da saúde atualizou as informações que foram repassadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre a situação alarmante da febre amarela no Brasil.

A partir de 1º de Julho de 2017 os casos começaram a ser monitorados e até o presente momento foram confirmados 545 casos da doença no país, sendo que 164 pessoas vieram a óbito dentro desse período.

Em menos de 1 ano, foram notificados 1.773 casos suspeitos: 685 foram descartados e 422 permanecem em investigação.

Em vista disso, muitos laboratórios vêm enfrentando um grande desafio do diagnóstico da febre amarela, para evitar que a doença ganhe proporções maiores e venha a fazer novas vítimas.

O grande objetivo é encontrar as melhores práticas para diagnosticar a doença, evitando problemas de saúde ainda mais graves e também a transmissão do vírus.

Mas afinal, como se dá o processo inicial do diagnóstico da febre amarela?

O diagnóstico preliminar da doença é baseado nas características clínicas do paciente, sintomas apresentados, no histórico de vacinação, de viagem, época do ano e mortandade de macacos na área.

O caminho do diagnóstico da febre amarela em laboratórios – técnicas disponíveis

Quando uma amostra humana ou a de macacos chega a um laboratório, diferentes metodologias costumam ser utilizadas para confirmar se o caso é de febre amarela ou não.

O método escolhido depende rigorosamente do momento da doença em que o material é coletado:

  • Para diagnóstico de casos agudos da febre amarela, até 10 dias após o início dos sintomas, é usada a técnica de PCR em tempo real para a detecção do material genético do vírus a partir de fluidos e tecidos (tanto amostras de tecido frescas quanto amostras de tecido embebidas em blocos de parafina para conservação).
  • Para a identificação de anticorpos contra o vírus produzido pelo organismo do paciente em resposta a infecção, a metodologia adotada são os testes sorológicos. Eles são indicados a partir do sexto dia após o início dos sintomas ou mesmo após o final dos sintomas. Nesse caso, a análise permite dizer se o indivíduo foi infectado anteriormente pelo vírus.
  • No que se refere a amostras de animais, tendo em vista o risco da presença de outros agentes patológicos, o protocolo de análise exige o processamento em laboratório de nível de biossegurança 3.
  • Em casos em que pacientes ou animais vieram a óbito, o diagnóstico é feito através de testes histopalogia e imunohistoquímica, que utilizam amostras de tecidos acondicionadas em uma substância chamada formalina.
  • Nessa última situação, as amostras são analisadas pelo Serviço de Anatomia Patológica do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).
  • O prazo entre início dos sintomas dos pacientes, recebimento das amostras coletadas e a liberação do resultado é de 10 dias para humanos e de 30 dias para os macacos.

Como podemos ver, esse é um processo complexo que exige a análise minuciosa de muitas variáveis, confirmando o grande desafio do diagnóstico da febre amarela para os laboratórios responsáveis.

É uma corrida contra o tempo na tentativa de salvar vidas, não é mesmo? Mantenha-se atualizado para oferecer o melhor suporte para os pacientes de seu laboratório.

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