Risco de infecções cruzadas e biossegurança em laboratórios diagnósticos

Trabalhar em laboratórios diagnósticos exige um cuidado extremo, pois qualquer erro referente à manipulação de agentes biológicos pode culminar em acidentes, infecções cruzadas e contaminações irreversíveis.

Portanto, ignorar a segurança num ambiente desses é se expor a situações de risco desnecessárias e altamente perigosas.

A grande questão é que nem sempre os gestores responsáveis pelas unidades e as equipes possuem o conhecimento necessário sobre o assunto, o que faz com que a integridade física dos profissionais fique em constante perigo.

Daí a importância da aplicação consciente da biossegurança, que nada mais é que um conjunto de ações voltadas para a precaução, prevenção, minimização e eliminação dos riscos. Seu principal objetivo é proporcionar condições mais seguras de trabalho.

Conheça as normas de conduta, as classes de risco biológico e as medidas preventivas contra riscos de contaminação eminentes em laboratórios:

Normas de conduta de biossegurança em laboratórios diagnósticos:

RDC 302/2005

Determina a necessidade de um manual de biossegurança para treinar e capacitar as equipes. Normalmente os laboratórios utilizam os Procedimentos Operacionais Padrão (POP), que padronizam condutas do cotidiano a fim de minimizar a ocorrência de erros.

Por meio do manual, os funcionários devem ser devidamente informados sobre:

  • Condutas e normas de segurança ambiental, biológica, física, química e ocupacional;
  • Instruções de uso para equipamentos de proteção;
  • O que fazer em caso de acidentes;
  • Transporte e manuseio de materiais e amostra biológica.

NBR 14785

Foi criada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) especificamente para laboratórios diagnósticos, como forma de proteger tanto os colaboradores quanto os pacientes.

De acordo com esta norma, a equipe deve:

  • Ser treinada para interromper qualquer atividade, caso haja risco imediato;
  • Identificar e notificar qualquer problema de segurança;
  • Providenciar ou recomendar ações que corrijam situações de risco;
  • Acompanhar e participar da implementação das ações corretivas.

Biossegurança em laboratórios diagnósticos: classes de risco biológico

Classe de Risco I

Escasso risco individual e comunitário. O Microrganismo tem pouca probabilidade de provocar enfermidades humanas ou enfermidades de importância veterinária.

Classe de Risco II

Risco individual moderado, risco comunitário limitado. A exposição ao agente patogênico pode provocar infecção, porém, se dispõe de medidas eficazes de tratamento e prevenção, sendo o risco de propagação limitado.

Classe de Risco III

Risco individual elevado, baixo risco comunitário. O agente patogênico pode provocar enfermidades humanas graves, podendo propagar-se de uma pessoa infectada para outra, entretanto, existe profilaxia e/ou tratamento.

Classe de Risco IV

Elevado risco individual e comunitário. Os agentes patogênicos representam grande ameaça para as pessoas e animais, com fácil propagação de um indivíduo ao outro, direta ou indiretamente, não existindo profilaxia nem tratamento.

Medidas preventivas de biossegurança em laboratórios diagnósticos:

  • Verificar se superfícies, pisos, paredes e vidraças estão sendo desinfetados adequadamente pelo menos duas vezes ao dia;
  • Evitar acúmulo de lixo e efetuar o descarte sempre que o balde estiver cheio;
  • Treinar os agentes de limpeza e de coleta e prestadores de serviço a respeito dos riscos e situações de emergência;
  • Assegurar o uso de equipamentos de proteção individual e coletiva pelos funcionários (sempre que necessário), como máscaras, luvas, aventais, óculos de proteção, entre outros;
  • Nunca reencapar agulhas, nem as entortar, quebrar ou desconectá-las da seringa;
  • Descartar todo o material perfuro-cortante em caixa apropriada, jamais em lixo comum;
  • Se certificar de que não há agulhas em lugares inadequados;
  • Respeitar rigorosamente o limite da capacidade do coletor de materiais, sejam eles de qualquer natureza;
  • Utilizar luvas de procedimentos para a punção venosa e coleta de sangue de pacientes;
  • Ser cuidadoso quanto ao manuseio de materiais cortantes;
  • Tirar as luvas sempre que for abrir portas, ligar e desligar interruptores, atender telefone;
  • Não cheirar placas de cultura, identificar bactérias por provas bioquímicas e coloração;
  • Antes de iniciar qualquer procedimento, ler atentamente o roteiro, tirar as dúvidas, organizar os produtos a serem utilizados;
  • Antes de utilizar qualquer equipamento novo, se certificar sobre o modo de operação e seus riscos;
  • Não acumular materiais sobre bancadas e pias. Todo material que não estiver sendo usado, deve ser guardado limpo e em lugar apropriado;
  • Afixar o emblema internacional indicando risco biológico nas portas dos recintos onde se manuseiam microrganismos pertencentes à classe de risco II;
  • Em caso de mudanças de normas ou de procedimentos de segurança, fornecer treinamento adicional aos profissionais.

Como é a segurança do seu laboratório diagnóstico e quais medidas estão sendo tomadas para minimizar os riscos de infecções cruzadas e de contaminação? Deixe seu comentário!

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