A inteligência artificial (IA) tem transformado de forma irreversível os mais diversos setores da sociedade, impactando desde a saúde e a educação até as finanças e, de maneira especialmente expressiva, a medicina diagnóstica. Com base em algoritmos avançados e modelos de linguagem natural, a IA oferece ganhos expressivos de eficiência, qualidade e inovação. Contudo, esse avanço exige atenção à regulação, segurança e letramento digital, de modo que seu uso seja ético, transparente e seguro para toda a sociedade.
Apesar do entusiasmo crescente, é importante compreender os limites atuais da tecnologia.
A IA funciona com base em estatísticas e probabilidades, o que significa que seu desempenho está diretamente relacionado à qualidade dos dados de entrada. Ainda convivemos com fenômenos como as chamadas “alucinações”, quando os modelos geram informações incorretas de forma convincente. Isso reforça a necessidade de validação constante dos resultados e do uso de fontes confiáveis para garantir a integridade das
informações produzidas.
No setor de medicina diagnóstica, a IA tem promovido uma verdadeira evolução. A crescente demanda por agilidade, rastreabilidade e precisão levou à adoção de soluções capazes de transformar dados em decisões estratégicas. Como parte dessa transformação, a Softeasy, que celebra 20 anos de atuação, lançou a plataforma SIAlab (https://sia.softeasy.com.br/), uma solução inovadora que permite aos gestores de laboratórios consultarem informações complexas em linguagem natural. Com perguntas simples como “Quantos pacientes foram cadastrados no mês passado?”, profissionais ganham autonomia e reduzem o tempo necessário para extrair dados, antes acessíveis apenas via relatórios ou dashboards. Ainda que o uso pleno da ferramenta dependa de validação contínua e capacitação dos usuários, o ganho em agilidade e apoio à decisão é
expressivo e já perceptível.
Especialistas apontam que estamos vivenciando um novo ciclo de transformação tecnológica, estimado em 3 a 5 anos, impulsionado por avanços significativos na IA. Os agentes conversacionais, como o ChatGPT, estão no centro dessa revolução, mudando a forma como indivíduos e organizações interagem com sistemas digitais. Esse momento representa uma transição para modelos de inteligência mais avançados, com projeções realistas para a IA Geral (AGI) e perspectivas futuras de uma Superinteligência Artificial (ASI). Embora essa última ainda esteja no campo da teoria, a computação quântica já desponta como uma possível base para sustentar seu desenvolvimento. Com capacidade para processar volumes massivos de dados em alta velocidade, os computadores quânticos podem acelerar de forma decisiva a eficiência e sofisticação dos sistemas de IA.
Outro aspecto fundamental é a democratização do acesso a essas tecnologias. A tendência é que soluções baseadas em IA se tornem mais acessíveis a nível global, inclusive em países emergentes, contribuindo para avanços relevantes em áreas como saúde pública, agricultura, educação e indústria. O cenário que se desenha aponta para um ecossistema digital mais inteligente, inclusivo e integrado, no qual a IA será peça-chave na
transformação dos modelos econômicos e sociais.
A consolidação desse futuro depende de uma estrutura regulatória robusta. Normas como a LGPD, o Marco Civil da Internet e os códigos de ética de profissões regulamentadas já oferecem diretrizes importantes para o uso seguro da tecnologia. Ao mesmo tempo, é essencial promover o letramento digital da população, indo além do domínio técnico e incorporando práticas de proteção como atualização de sistemas, uso de senhas seguras e
antivírus, entre outros.
Vivemos uma revolução silenciosa, mas acelerada. A diferença em relação às transformações tecnológicas anteriores está na velocidade e no alcance multidimensional da mudança. A IA tem potencial para ampliar a produtividade humana e liberar tempo para o que realmente importa: convivência familiar, busca por conhecimento e bem-estar. Cabe à sociedade adaptar-se rapidamente, observando regulamentações internacionais, como as da União Europeia e do estado da Califórnia, e incentivando a participação ativa da América do Sul neste novo cenário global.
A inteligência artificial não é uma solução mágica, mas é, sem dúvida, uma ferramenta de enorme potência. Seu uso consciente e estratégico tem o potencial de redefinir a forma como vivemos, trabalhamos e cuidamos da nossa saúde. Iniciativas como o SIALab demonstram que a tecnologia pode, sim, estar a serviço de uma gestão mais humana, eficiente e inteligente, elevando o setor laboratorial a um novo patamar de excelência.
Por: Edgar Diniz Borges – CEO na Softeasy Tecnologia