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OpenCare Interop: o avanço da interoperabilidade que transforma a saúde digital no Brasil

A saúde no Brasil vive um dos seus momentos mais relevantes em termos de transformação digital. No fim de 2025, foi oficialmente apresentado o OpenCare Interop, um programa de interoperabilidade de dados clínicos conA saúde no Brasil vive um dos seus momentos mais relevantes em termos de transformação digital. No fim de 2025, foi oficialmente apresentado o OpenCare Interop, um programa de interoperabilidade de dados clínicos concebido em parceria entre o Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InovaHC) e a B3 a bolsa de valores brasileira com o objetivo de construir um ambiente colaborativo de interoperabilidade para o ecossistema nacional de saúde. A iniciativa representa um passo inovador no sentido de conectar dados clínicos de diferentes instituições, permitindo que informações essenciais sigam o paciente ao longo de sua jornada de cuidado, sempre com segurança, controle do cidadão e alinhamento com padrões técnicos consagrados.

Nos últimos anos, a digitalização dos registros médicos e a proliferação de sistemas eletrônicos em hospitais, laboratórios e operadoras de saúde têm expandido a quantidade e a complexidade de dados disponíveis. Apesar disso, grande parte dessas informações ainda está isolada em “ilhas” tecnológicas cada instituição possui seus próprios sistemas e protocolos, que muitas vezes não se comunicam. Essa fragmentação representa um dos principais entraves à continuidade do cuidado, pois impede que um profissional de saúde tenha uma visão completa e atualizada do histórico clínico de um paciente quando mais importa.

O que é o OpenCare Interop?

O OpenCare Interop surge como resposta a esse desafio estrutural: uma plataforma de interoperabilidade que visa integrar dados clínicos de diferentes provedores de serviços de saúde, públicos e privados, por meio de uma arquitetura que respeita tanto a privacidade quanto a soberania dos dados. A proposta é construir um hub de interoperabilidade de saúde nacional, inspirado em modelos de mercado financeiro, como o open finance, nos quais dados e serviços são compartilhados com consentimento do usuário de forma padronizada e segura.

Esse projeto não se limita à mera troca de informações técnicas entre sistemas. Ao contrário, ele pretende estabelecer um ambiente em que os dados do paciente autorizados por ele possam ser acessados por diferentes instituições de saúde no momento oportuno, apoiando decisões clínicas e proporcionando atendimento com maior eficiência e qualidade. Essa integração técnica e semântica de informações é uma das premissas para a construção de uma saúde verdadeiramente centrada no paciente.

Interoperabilidade na prática: como funciona

A interoperabilidade em saúde não é apenas compartilhar dados; trata-se de criar condições para que diferentes sistemas entendam, interpretem e utilizem informações de forma correta e segura. Isso envolve padrões técnicos, ferros de autenticação e governança que garantam que os dados permaneçam sob o controle do paciente e sejam acessados apenas quando necessário.

O modelo proposto pelo OpenCare Interop atua nos seguintes pontos principais:

  • Consentimento controlado pelo paciente: os dados só são disponibilizados mediante autorização explícita do titular dos dados. Isso significa que o paciente tem controle sobre quem acessa suas informações clínicas e em que circunstâncias.
  • Segurança inspirada no setor financeiro: a infraestrutura de troca de informações foi desenhada com base em padrões robustos de segurança, seguindo modelos já consagrados, como os utilizados no open finance, que garantem confidencialidade, rastreabilidade e integridade das transações de dados.
  • Arquitetura distribuída: em vez de centralizar todos os dados em um grande repositório, o sistema mantém os registros nas instituições de origem e os acessa de forma transitória e autorizada quando necessário, o que reduz riscos e custos associados ao armazenamento centralizado.
  • Alinhamento com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS): o projeto visa interoperar com a RNDS a base de interoperabilidade oficial do Ministério da Saúde criando pontes entre os sistemas privados e públicos, sem expor diretamente os dados sob gestão governamental sem consentimento.

Esses elementos técnicos são complementados por uma governança abrangente que envolve entidades públicas e privadas, com foco em atender às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e outras normativas aplicáveis à segurança da informação e privacidade dos pacientes.

O papel das instituições e a visão colaborativa

Desde o início do desenvolvimento, o OpenCare Interop contou com a participação de instituições de saúde e organizações representativas do setor. Centros de referência, como o Sírio-Libanês, a Beneficência Portuguesa, o Hospital Oswaldo Cruz, além de grandes redes diagnósticas como Dasa, Fleury e Sabin, estiveram envolvidos nas discussões e nas fases iniciais de integração.

A importância dessa colaboração não se limita ao aspecto tecnológico: ela também é essencial para gerar confiança entre os diversos atores do setor. À medida que diferentes partes do sistema de saúde se unem em torno de uma arquitetura comum de interoperabilidade, aumenta a probabilidade de criar um padrão sustentável e de ampla adoção, mitigando riscos de fragmentação adicional ou soluções isoladas.

Benefícios esperados de uma interoperabilidade eficiente

A adoção plena do OpenCare Interop e de modelos semelhantes traz uma série de benefícios concretos ao sistema de saúde:

  • Melhoria da qualidade do atendimento: profissionais de saúde poderão acessar dados relevantes em tempo real como histórico de exames, alergias, medicações em uso e diagnósticos anteriores mesmo quando o paciente estiver em uma instituição diferente da sua rotina habitual. Isso contribui para decisões mais rápidas e seguras.
  • Redução de redundâncias e desperdícios: a interoperabilidade reduz a necessidade de repetir exames ou procedimentos simplesmente por falta de acesso aos dados anteriores, o que pode resultar em economia significativa para o sistema de saúde e menos exposição desnecessária para os pacientes.
  • Maior eficiência operacional: com informações padronizadas e facilmente acessíveis, instituições e operadoras podem otimizar seus fluxos de trabalho, agilizar autorizações e reduzir retrabalhos administrativos.
  • Potencial de integração entre os setores público e privado: embora o projeto inicial esteja concentrado em conectar dados da rede privada, a perspectiva de interoperabilidade com a RNDS abre possibilidades de integração mais ampla entre SUS e saúde suplementar, promovendo continuidade do cuidado em escala nacional.
  • Inovação e pesquisa: com um modelo interoperável, dados padronizados e consentidos podem ser utilizados para gerar insights que apoiem pesquisa clínica, desenvolvimento de inteligência artificial aplicável à saúde e análise de tendências epidemiológicas.

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, a interoperabilidade de dados em saúde enfrenta desafios significativos. O principal deles continua sendo a padronização de dados e sistemas historicamente heterogêneos, onde diferentes instituições utilizam formatos variados, muitas vezes proprietários, que exigem esforço significativo para harmonização.

Além disso, a implementação técnica exige investimentos em infraestrutura digital, capacitação de equipes e adesão coordenada de provedores de serviços de saúde de diferentes portes e perfis. Políticas de governança e consensos em torno de padrões técnicos e de segurança também demandam tempo e negociação entre stakeholders.

Por fim, questões de regulação e proteção de dados pessoais exigem um equilíbrio permanente entre inovação e respeito aos direitos dos cidadãos, garantindo que os controles de consentimento, acesso e revogação sejam claros e efetivos em todas as etapas do processo.

Conclusão

O lançamento e a evolução do OpenCare Interop simbolizam uma mudança de paradigma para a saúde digital no Brasil. Ao criar uma infraestrutura colaborativa e segura de interoperabilidade de dados clínicos, a iniciativa não apenas apoia a transformação digital do setor, mas também coloca o paciente no centro do cuidado. A capacidade de integrar informações de saúde de forma eficiente e segura entre diferentes instituições representa um ganho substancial para a qualidade do atendimento, a eficiência operacional e a sustentabilidade do sistema de saúde.

Esse movimento coletivo envolvendo instituições públicas e privadas, organizações representativas, provedores de tecnologia e entidades reguladoras demonstra que o Brasil está avançando na construção de um ecossistema de saúde mais conectado, inteligente e centrado no cidadão. Ao superar barreiras históricas de fragmentação de dados, a interoperabilidade se apresenta como um dos pilares essenciais para uma saúde verdadeiramente moderna, eficiente e orientada por dados.